Home Schooling: um modelo (?) educacional na era da pós verdade. #Educação

2년 전

Neste texto não entrarei no mérito se é constitucional ou juridicamente legal, se fere a liberdade do indivíduo ou não. Abordarei apenas temas pertinentes voltados diretamente a essa vertente “educacional”(?).



 
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Há alguns anos presenciamos diversos debates acerca da qualidade da educação pública brasileira, realmente, está ficando cada vez mais precária a nossa educação pública, por diversos motivos. Hoje, quem pode paga escola particular para os filhos, mas como no contexto geral a qualidade da educação está baixa, isso afeta também as escolas particulares, tendo saída apenas um seleto grupo que pode pagar cinco mil reais ou mais em mensalidades. Seria então o Home Schooling uma solução?
 
O HS é defendido por muitos como uma forma de preservação da segurança de seus filhos, principalmente relacionados a assédio moral e segurança física. Concordo, são pontos factuais e que desabonam a escola. Seria a solução então retirar os filhos da escola e impedi-los de um convívio social?
 
Torno aqui a “bater em uma tecla” que muito insisto, vivemos em uma sociedade “egocentrada”, atualmente é cada um por si, isso porque a maioria das pessoas que constituem a atual sociedade foram criadas nesse contexto social, imaginem se tirarmos isso das futuras gerações, as “batalhas” entre egos serão por motivos absurdos e meramente mesquinhos.
 
Particularmente vejo essa questão da segurança como uma obrigação da sociedade. Obrigação no sentido de que, se já pagamos impostos que deveriam ser voltados à melhorias na educação, então, devemos cobrar que nossos governos o façam. Mas como vivemos nessa era de egocentrismos, quem pode paga escola particular e que se vire quem não pode pagar.
 
Outro ponto que os defensores do HS usam para tentar implementá-lo legalmente é o conteúdo didático. Neste quesito existem diversos fanáticos, sejam religiosos, que almejam excluir da educação de seus filhos o conhecimento científico e usar a bíblia como modelo, os fanáticos de direita que dizem que tudo é uma conspiração global para instituir o comunismo no mundo, e, não conheço nenhum, mas devem existir os fanáticos de esquerda que acham que o modelo educacional é uma forma de manter e exaltar o modo de produção capitalista. Infelizmente, são esses fanáticos que tem levado os debates acerca do HS a frente.
 
Esses são os principais pontos dos defensores do HS, mas vale lembrar que, uma educação de qualidade no modelo HS apenas é viável a quem possui grande poder econômico, mesmo para quem é da classe média torna-se praticamente inviável contratar diversos professores de matérias específicas. Para os pais que desejam educar seus filhos sem professores, as perdas na qualidade educacional são imensuráveis.
 
Particularmente, mesmo sendo professor e ter no meu currículo matérias como Psicologia da Educação, Práticas de Ensino, Didática e outras, possuindo um conhecimento considerável não apenas na área da Filosofia mas em outras matérias também, não me atreveria a retirar minha filha da escola.
 
Não o faria pelo fato do convívio social, hoje ela já tem quase 17 anos e passou por diversos problemas em escolas, mesmo assim, penso que isso acabou se tornando por vezes em pontos positivos para a construção daquele ser como humano, como ser pensante e social.
 
Acredito também que os pais ou familiares devem e tem a obrigação de fazer parte da educação dos filhos, principalmente os instruindo de forma ética e na parte da educação e construção do ser humano que apenas a família pode dar. Mas isso deve ser feito em horários extraclasse, em família para ser mais exato, não concordo com a retirada de crianças da escola.
 
Penso que enquanto não houver um debate sério com a população e profissionais da área da educação, alternativas como essa, apenas servem para tirar o foco dos problemas reais que a educação tem atualmente.
 
Por fim, tudo isso me faz chegar à seguinte conclusão: ora, se a intenção é de uma boa educação para os filhos, por que não lutar e exigir que governos melhorem a qualidade da educação pública para “todos os filhos” dessa Pátria?

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Sou totalmente a favor do HS. Não é questão de tirar "os filhos do convívio social", "isola-los do mundo", fazendo os tornarem "egocêntricos" e etc...esse é o argumento que o estado quer para fazer lavagem cerebral nas futuras gerações e perpetuar, através da educação que é comandada por ele (veja só, a educação é um patrimônio estatal, olhe o absurdo...), os seus domínios.

Vale lembrar que a escola não é o único lugar de convívio social de uma criança... existem atividades extra-escolares que suprem e muito a educação formal. Eu sou chefe escoteiro há mais de 10 anos e o programa educacional do movimento escoteiro nenhuma escola no mundo oferece, é educação para a vida.

O primeiro núcleo de educação é a família. Dar ao estado, ao governo, aos políticos a responsabilidade de educar nossos filhos, é um absurdo sem tamanho. Já é mais do que provado, principalmente no Brasil, que a nossa educação é falha em todos os sentidos.

Se a educação formal, estatal, governamental falha, porquê não tentar outras formas de educar nossos filhos?

O HS deve ser tentado sim, deve ser legal sim e deve ser umas das vertentes de educação. É direito da família escolher onde quer que seu filho aprenda, seja educado e o governo não tem nada a ver com isso.

Ótimo e provocante post, como sempre. Bom final de semana!🍻

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Obrigado pelo feedback @jsantana.
Existem sim diversos tipos de atividades extraescolares que são benéficas, mas acredito que não supre de forma total e ampla o aprendizado em convívio social, como vc cita os escoteiros, fui escoteiro na infância e gostava, pode suprir alguma área de convívio e aprendizado social sim, mas em uma área restrita e específica.
Concordo muito contigo no ponto de que a educação não pode e nem nunca poderia ser um patrimônio estatal, inclusive por esse motivo, sempre tento criar nas pessoas a ideia de que a educação é de todos e nossa responsabilidade, faço isso aqui no Steemit e na minha vida.
Penso que já que o Estado recebe impostos que deveriam ser voltados a educação, ele deveria ser apenas o "distribuidor" desses recursos, mas as decisões na área devem ser tomadas pela sociedade e profissionais, não por políticos.
Eu escrevi uma vez um texto sobre um modelo educacional que acho válido e dinâmico, se quiser ver, pesquisa na internet sobre o Projeto Âncora, é bem diferente.
Minha intenção é sempre "provocar" a reflexão para gerar um debate de ideias e ideais como esse, por mais que eu discorde do modelo do HS, é sempre bom ouvir o outro lado, pois penso ser assim que se constrói uma sociedade, aceitando e ouvindo as diferenças.

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Acho esse tema muito interessante, e hoje em dia vem sendo reclamado principalmente pelas classes mais altas, com um adendo de classes mais baixas com pouca escolaridade.

Que o ensino como um todo é ruim não é novidade, ao longo da histórica sempre foi uma tecla batida, tendo expoentes como o brilhante Paulo Freire como um crítico dos modelos generalistas e longe da realidade dos alunos, e dificuldade dos professores em compreender a função de ensino, junto a toda problemática que um professor brasileiro tem.

De outra forma, estamos em um tempo, que se acredita, já que não é bom, não tem jeito, é melhor aprender em casa.

Esse funcionamento social dicotômico do tudo ou nada.

Por mim que tenha valor o direito da maioria, se quiserem o modelo escolar em casa, não vai faltar paciente com transtornos psíquicos. Assim como você, não é o que quero para meus futuros filhos, e que a seleção natural siga suas leis para os que querem. Tomara que ao aprovarem, e é uma tendência, não esqueçam de buscar compreender os custos sociais que irão envolver essas propostas. Com aumento de incestos, crimes passionais, suicídios, e tudo que um individuo isolado e sob pressão de um ideal doentio pode passar. Quando a lei passa de um simbólico comum à todos, para o simbólico primordial, ainda mais de seres primitivos, as leis muitas vezes podem ser bastante cruéis, gerando animais que em seus sofrimentos, podem ser muito cruéis também, vemos isso ao longo da história, continuamos a ver hoje.

Mas acredito que assim como muitas dimensões da sociedade, a educação deve ser descentralizada, e tem muitos problemas metodológicos e de conteúdos de ensino a ser trabalhadas. Sou grande fã de Paulo Freire nesse aspecto. Mais uma ótima provocação! Obrigado!

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Boa @matheusggr, concordo contigo.

não esqueçam de buscar compreender os custos sociais que irão envolver essas propostas.

É exatamente esse um dos pontos que esqueci de abordar no texto e que vc aborda muito bem, são diversas situações que podem ocorrer em indivíduos reclusos, e a escola também serve justamente como um mecanismo para coibir diversos abusos, pois lá existem diversos mecanismos que facilitam o jovem a fazer denúncias, se vc retira esse convívio escolar, muitas pessoas se sentirão mais à vontade para praticar diversos crimes contra os jovens.
Outro fato que muito me preocupa é quem não pode pagar. Teremos escolas públicas cada vez mais precárias, os professores irão nas comunidades atender pessoas de baixa renda ou apenas serão excluídos da educação e criaremos uma nova geração de analfabetos?
E quando essas crianças ficarem com tempo ocioso, com certeza, estarão à mercê dos traficantes. São diversos problemas que tudo isso pode gerar.
Se me permitir usar esse gancho, essa semana escrevo outra publicação sobre esses dois pontos. O que vc levantou e o que me referi.

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Eu particularmente adotei um sistema misto, em que o meu filho vai de manhã á escola, porque acho que é muito importante o desenvolvimento afetivo e emocional da convivência com outra crianças, ajudando a desenvolver a inteligência emocional.
Por outro lado da parte da tarde, ele entra em regime de brincadeira e projetos de "unschooling" em que ele próprio lidera o que quer aprender, porque o desenvolvimento cognitivo na escola pouco têm a ver com os conhecimentos necessários para sobreviver na sociedade do futuro.
O estar só de manhã deixa-o com muita energia para aprender outras coisas.
Na minha infância os primeiros 4 anos de escolaridade punham as pessoas prontas para ler e escrever corretamente (mas muito baseado no autoritarismo e na endotrinação do estado).
O que é grave hoje é que ao fim de doze anos de escolaridade e muitas vezes com mais cinco anos de Faculdade, descobre-se que muitas das vezes os alunos mal sabem escrever, para além de muitos erros não existe pontuação e estrutura correta da articulação gramatical.
Isto piora ainda mais com o tipo de linguagem escrita na Web, que nos últimos estudos se verificou que ajuda a degradar ainda mais as deficiências do ensino na leitura e escrita.
Mas o meu filho irá ter o mesmo problema que eu, pois tal como ele eu já sabia ler e escrever e contar, e estar numa sala para mim era uma tortura que degenerava em mau comportamento.
A língua é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e abre-nos as portas para a compreensão do Mundo e para a liberdade de não ter medo de lutar contra as classes priveligiadas que usam o ensino privado pois sabem que o público apenas serve para criar desadaptação social e profissional, e pôr os alunos num estado de ignorância que não lhes permita criticar as injustiças sociais.
E quero que o meu filho tenha o mesmo que eu tive, de manhã ia á escola e á tarde era completamente livre para fazer o que quisesse.
Não haja dúvida que os pais têm de colmatar as deficiências crescentes do ensino que não acompanhou a evolução social e técnica da sociedade.

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A educação que dei a minha filha foi bem parecida com o que vc descreve, sempre foquei na língua, concordo que é totalmente essencial a qualquer ser humano conhecer a fundo sua língua nativa ao menos, sempre deixei um espaço vago para brincar, mas sempre estimulando a aquisição de algum tipo de conhecimento através de brinquedos criativos, mas também foquei muito no lado social, humanitário para ser mais exato, claro que de acordo com cada época da vida.
Lembro que logo após me separar da mãe da minha filha, namorei uma pedagoga, minha filha tinha 4 anos nessa época, foi essa namorada que me apresentou Piaget, ali comecei a ter outra forma de ver a vida e acho que foi ali também que iniciei o processo de me tornar professor.
Hoje nas escolas do Estado de São Paulo, existe uma matéria denominada "Projeto Vida", é um projeto novo que ainda está em fase de implantação, ocupa o tempo de uma aula e é opcional ao aluno. Neste projeto existem diversos tipos de incentivo aos jovens para seguirem sua vida com foco no estudo e nao mais apenas na área profissionalizante, ainda não tive muito contato com o projeto, como disse é algo novo, mas a minha primeira impressão foi bem satisfatória, mas por ser algo do Estado, surge sempre a dúvida se em algum momento não se tornará uma doutrina, já que logo será matéria obrigatória.
Obrigado pelo excelente comentário @charli777pt.

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Admiro as pessoas que hoje se dedicam ao ensino, que é um papel social que exige muita coragem pessoal e empenhamento, porque as famílias esperam que os professores resolvam os problemas de socializar os comportamentos das crianças, (que deve ser feito em casa até aos 3 anos-Piaget-) e que esta fase hoje não se fecha devido á pouca disponibilidade dos pais.
As famílias deviam perceber que a escola é para socializar o pensamento (8-12 anos) e que os professores perdem 80% do tempo a resolver problemas de disciplina (comportamento) e ficam com 20% do tempo para ensinar o pensamento.
Assim a escola não resolve o problema do comportamento pois não é essa a sua função, e depois não tem espaço para preencher o pensamento das crianças, e como Piaget dizia se as fases anteriores não se fecham, então os problemas gerados serão mais visíveis na fase de socialização da personalidade ( 12-18 anos), como se pode ver hoje por todos os sindromas de deficits de atenção e concentração e outra psicopatologias.
Os pais por falta de tempo e conhecimento tendem a culpar as escolas e os professores pela situação a que chegamos, tornando o papel do professor ainda mais difícil.
Um estudo recente mostra que as crianças coladas mais de 3 horas por dia a telas de computador, TV e telemóvel no seu futuro irão de certeza ter problemas de concentração.
Em Portugal com 10 milhões de habitantes temos 250.000 crianças a tomar Ritalina, mas um especialista espanhol que analisou o nosso caso descobriu que cerca de metade das crianças estavam incorretamente medicadas, ao que não é estranho a ligação dos psicólogos que já estão mentalizados para responder com a psiquiatria e a solução medicamentosa dos laboratórios que adoram estes tipos de problemas sociais para faturar mais alimentado-se da desgraça da sociedade.
O mais grave é que tenho dois amigos cujos filhos tomaram Ritalina durante cinco anos e agora tem de pagar mais cinco anos para os filhos se desentoxicarem duma droga que não resolveu nenhum problema e apenas foi um placebo.
O mais grave é que um deles era muito inteligente, mas o sistema confundiu com hiperatividade, e matou o desenvolvimento harmonioso desta criança.
As drogas são incapazes de resolver problemas cujas soluções são do domínio da interação humana, mas são uma solução social muito "barata" e ao que parece as famílias ficam "satisfeitas" quando a criança é diagnosticada, passando a responsabilidade para o sistema educativo e médico, e ela deixa de incomodar.(isto parece um pensamento reacionário- cuidado) mas foi esta a conclusão do estudo do especialista espanhol.
O ensino tem de ser descentralizado porque as soluções e projetos que ele "inventa" são produto do pensamento centralizado que atingiu as suas limitações e claramente se encontra num processo de decadência avançado como a sociedade que o produz.
Vou encerrar por manifestar a minha admiração e coragem pelas pessoas que estão no ensino e tem de viver no meio dos sintomas visíveis da sociedade degenerativa em que vivemos, que são as crianças e representam o futuro e acabar o seu dia frustrados por não poderem exercer a sua profissão de ensinar, pois estão ocupados a ser psicólogos e resolver um problema que é do nível social.
E força e muita coragem, pois para um professor hoje ela é mais necessária que o saber e o conhecimento como Thomas Szasz dizia em relação a ser psicoterapeuta.

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Realmente são processos difíceis, hoje a necessidade da aquisição de bens de consumo age em detrimento ao convívio familiar, o pior é que muitas famílias trabalham em excesso para ter acesso ao básico apenas.
Mas isso é uma construção secular e difícil de mudar do dia para a noite, se mudar um dia, mas para mudar também levaria talvez outros séculos, décadas no mínimo.
O que cabe a nós como sociedade é fazer nossa parte como profissionais, aqui no Steemit e principalmente como "seres sociais".
Valeu pelo excelente comentário.

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